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Semana de 03 de agosto de 2026

Parashat Reê

Na Parashat Reê, a Torá nos ensina o mandamento do maasser — a obrigação de separar uma parte daquilo que recebemos e destiná-la a quem precisa e à manutenção da vida espiritual da comunidade (Devarim 14:22-29). O próprio texto nos orienta: "Assér te'assér" — "separarás, separarás" (14:22), com a palavra repetida duas vezes. Nossos sábios ensinam que essa repetição carrega uma promessa: quem separa o maasser corretamente "se enriquece" (Talmud, Taanit 9a, num jogo de palavras entre "assér", dízimo, e "ashér", enriquecer). Essa é, na verdade, a única mitzvá em toda a Torá em que Hashem nos convida abertamente a testá-Lo. O profeta Malachi (3:10) traz esse convite: "Provai-Me nisto, diz o Eterno dos exércitos, se não vos abrirei as janelas do céu, e não derramarei sobre vós bênção sem medida." Não é uma questão apenas financeira: é uma declaração de que tudo o que temos vem de Hashem, e ao devolver uma parte, reconhecemos essa fonte e nos tornamos parceiros na sustentação do próximo. O maasser ensina uma lição simples e poderosa: a generosidade não empobrece, ela santifica o que ficou com a gente. Separar antes de gastar é treinar o coração a confiar que o sustento vem de D'us, e não do quanto guardamos — e é justamente esse ato de confiança, feito com regularidade, que transforma um gesto financeiro em um exercício espiritual de fé. Para facilitar esse cumprimento tão importante, criamos a página do Maasser em nosso site, onde você pode contribuir de forma simples e rápida: nerisrael.com.br/maasser Que tenhamos um Shabat Shalom com felicidade e harmonia!!

Resumo da Parashá

A parashá começa com Moshé apresentando ao povo uma escolha decisiva: a bênção e a maldição, dependendo de seguirem ou não os mandamentos de Hashem. Essa bênção e maldição seriam proclamadas fisicamente pelo povo ao entrar na Terra, do Monte Gerizim e do Monte Eival, marcando de forma solene que o caminho escolhido teria consequências reais. Na sequência, a Torá trata da centralização do culto: uma vez na Terra de Israel, os sacrifícios e oferendas deveriam ser trazidos apenas ao lugar que Hashem escolhesse — o que viria a ser Jerusalém —, encerrando a prática de cada um oferecer onde bem entendesse, como acontecia entre os povos idólatras ao redor. A parashá então se volta com firmeza contra a idolatria, alertando sobre três situações de risco: o falso profeta que tenta seduzir o povo através de sinais e prodígios, o familiar ou amigo próximo que tenta convencer alguém a servir outros deuses em segredo, e a cidade inteira que se desvia para a idolatria (a "ir hanidachat"), casos em que a Torá exige que o povo não hesite em agir com rigor para preservar sua fidelidade a Hashem. Segue-se uma passagem sobre a santidade do povo de Israel como "filhos de Hashem", que leva às leis de cashrut: a lista de animais, aves e peixes permitidos e proibidos para consumo, reforçando que a santidade também se expressa naquilo que colocamos à mesa. A Torá então retorna ao tema do maasser (dízimo), tratado com mais detalhe no texto curto desta semana, incluindo a instrução do maasser sheni (a ser consumido em Jerusalém) e do maasser do pobre, a cada três anos. Em seguida, a parashá aborda a shemitá — o ano sabático a cada sete anos, no qual as dívidas entre os israelitas deveriam ser perdoadas — e as leis de libertação do escravo hebreu após seis anos de serviço, com a orientação de que o dono não o deixasse partir de mãos vazias, mas o agraciasse generosamente com bens do seu rebanho, celeiro e lagar. A parashá também trata da consagração dos primogênitos dos animais puros a Hashem, e é encerrada com a instrução das três festas de peregrinação — Pessach, Shavuot e Sucot —, ocasiões em que todo homem de Israel deveria comparecer ao Templo, "e não aparecerá diante de Hashem de mãos vazias", cada um trazendo conforme a bênção que Hashem lhe tivesse concedido.