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Semana de 10 de agosto de 2026

Parashat Shoftim

"Tzedek, tzedek tirdof" — "Justiça, justiça buscarás" (Devarim 16:20). A Torá não diz apenas "busca a justiça": repete a palavra, como se avisasse que não basta o resultado ser justo — o caminho até ele também precisa ser. O Talmud (Sanhedrin 19a-b) conta um episódio que ilustra bem isso. Um escravo do rei Yanai cometeu um assassinato. Shimon ben Shetach, líder do Sanhedrin, convocou o próprio rei para depor em julgamento — porque a lei valia para ele também, mesmo sendo rei. Yanai compareceu, e quando entrou na sala, os demais juízes, por respeito, se levantaram diante dele. Shimon ben Shetach os repreendeu na hora e ordenou que se sentassem de volta: "não é diante de nós que você se levanta — é diante d'Aquele que te criou". O rei, incomodado, olhou para os outros juízes buscando apoio para intimidar Shimon ben Shetach, e nenhum teve coragem de dizer nada. Foi um anjo, segundo o relato, quem finalmente fez Yanai se sentar e aceitar o julgamento. A cena mostra o que significa levar a justiça a sério: nem o poder do rei, nem o medo dos próprios juízes, podia dobrar o processo. A justiça só é justiça de verdade quando é igual para todos e quando ninguém — nem quem julga — se curva à pressão de quem está sendo julgado. Que a gente consiga, nas pequenas decisões do dia a dia, ter essa mesma firmeza: buscar não só o resultado certo, mas sustentar o caminho certo até ele, mesmo quando custa. Que tenhamos um Shabat Shalom com felicidade e harmonia!!

Resumo da Parashá

A parashá Shoftim abre com a ordem de nomear juízes e oficiais em todas as cidades, acompanhada do célebre mandamento "justiça, justiça buscarás" — a base de todo o sistema judicial que o povo levaria para a Terra. Na sequência, a Torá proíbe plantar árvores de culto idólatra e erguer colunas de pedra junto ao altar, e exige que qualquer condenação capital se apoie no testemunho de pelo menos duas testemunhas, nunca de uma só. Passa então às leis da monarquia: o rei não deve acumular cavalos, mulheres nem riqueza em excesso, e precisa manter sempre consigo um rolo da Torá, para que seu coração não se afaste do povo nem dos mandamentos. É dada também a porção que kohanim e levitas recebem do povo, e vêm as proibições de feitiçaria, adivinhação e consulta aos mortos — práticas das nações vizinhas que Israel deve evitar, porque em seu lugar Hashem prometeu levantar profetas verdadeiros para guiar o povo. A parashá trata ainda das cidades de refúgio, destinadas a quem mata sem intenção, protegendo-o da vingança do sangue enquanto se apura a culpa. As leis da guerra ocupam boa parte do restante: a isenção de quem acabou de se casar, construir casa ou plantar vinha; a oferta de paz antes do cerco; e a proibição de destruir árvores frutíferas mesmo durante o cerco a uma cidade (bal tashchit), ensinando que nem em tempo de guerra se justifica a destruição desnecessária. A parashá fecha com o rito da eglá arufá, a novilha decapitada, quando um corpo é encontrado no campo sem que se saiba o assassino — um gesto solene dos anciãos da cidade mais próxima, assumindo responsabilidade coletiva por uma vida perdida em seu território.