Semana de 27 de julho de 2026
Parashat Ekev
Ekev, que dá nome à parashá, significa "calcanhar". Rashi traz um comentário que dá o tom de toda a leitura: Ekev se refere às mitzvot que a pessoa "pisa com o calcanhar" — os mandamentos pequenos, aparentemente sem importância, que muita gente despreza por serem "menores". O calcanhar é a parte do corpo mais distante da cabeça, a que menos sentimos, a que pisamos no chão sem pensar. E é justamente aí que a Torá coloca o segredo do crescimento: não nas grandes mitzvot, visíveis e valorizadas por todos, mas nos detalhes — no cuidado com o que parece pequeno, no hábito diário, na atenção que ninguém está vendo. Rashi ensina que a recompensa prometida no início da parashá não vem por causa das mitzvot grandes, que qualquer um cumpriria com boa vontade. Vem por causa das pequenas — daquelas que exigem mais disciplina precisamente porque ninguém cobra. A mensagem de Ekev é clara: crescimento de verdade não se constrói só nos grandes momentos, mas na soma dos pequenos gestos que fazemos todos os dias, mesmo quando ninguém está olhando. Que tenhamos um Shabat Shalom com felicidade e harmonia!!
Resumo da Parashá
Moshé continua seu discurso ao povo às portas da Terra Prometida, e abre com uma promessa: se Israel guardar os mandamentos, será abençoado além do que pode imaginar — fertilidade, saúde e prosperidade maiores que as de qualquer outro povo. Mas logo em seguida vem um alerta que atravessa toda a parashá: cuidado para não esquecer, na fartura, de onde vieram as bênçãos. Não é no deserto, com fome e sede, que existe o risco de esquecer Hashem — é depois, quando a casa estiver construída, o gado multiplicado, a prata e o ouro acumulados. É exatamente na abundância que o coração corre o risco de pensar "foi minha força que conquistou tudo isso". Para reforçar esse ponto, a Torá relembra os 40 anos no deserto: o maná que caía do céu, a roupa que não desgastava, a provação que servia como educação. Tudo isso para ensinar que o homem não vive só de pão, mas de tudo o que sai da boca de Hashem. Moshé também volta no tempo e recorda o episódio do bezerro de ouro — o pecado, a quebra das primeiras tábuas e os 40 dias de intercessão até conseguir as segundas. É um lembrete de que, mesmo depois de um erro grave, existe caminho de volta. Da memória do passado, o discurso passa a um mandamento para o presente: amar e temer a Hashem, "circuncidar o coração" e andar em Seus caminhos com sinceridade. Em seguida, a Torá descreve a terra que os aguarda: uma terra de trigo, cevada, uva, figo, romã, azeite e mel — as sete espécies —, terra que "mana leite e mel", sobre a qual os olhos de Hashem estão sempre postos. A parashá contém ainda a segunda parte do Shemá (Ve'haya im shamoa), que estabelece a estrutura de recompensa e punição coletiva: chuva na época certa como bênção pela observância, seca como consequência do desvio. É desse trecho, aliás, que nasce o costume de agradecer depois das refeições — "comerás, te fartarás e abençoarás" é a origem da Bênção do Alimento (Birkat Hamazon). Ekev se encerra com uma promessa de conquista: Hashem expulsará diante de Israel nações maiores e mais fortes, desde que o povo permaneça fiel ao caminho que Lhe foi ensinado.